01 de Junho 2025
“Que Ele abra o vosso coração à sua luz” (Ef 1, 18)
Neste Domingo da Ascensão do Senhor, celebramos o momento em que, quarenta dias após a Páscoa, Jesus é elevado ao céu para junto do Pai.
Na primeira leitura, em Atos dos Apóstolos 1,1-11, teremos a narrativa de Lucas, sobre a Ascensão do Senhor, diante dos Apóstolos. Cristo parte, porém nos deixa a promessa do envio do Espírito Santo e ainda confia aos seus discípulos a missão de serem anunciadores, e suas testemunhas, em Jerusalém.
Percebemos nessa leitura a transição: Jesus vai para junto do Pai, assim dando início à Igreja e à sua Missão de “testemunhar o Senhor, com vida”. O “desaparecimento” de Jesus, entrando na nuvem, traz consigo a presença divina e a entrada do Filho na glória de Deus Pai.
Temos neste breve trecho o alerta para o hoje: somos chamados a observar a realidade de forma concreta, sem “nos perder” olhando o céu. (“Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu?”). Aqui vemos a demonstração do compromisso no seguimento de Cristo – presença no mundo e compromisso junto à missão.
No salmo responsorial Sl 46(47),2-3.6-7.8-9 (R. 6), observemos a forma jubilosa com a qual o autor celebra a Deus como Rei das nações de forma eterna, invocando um louvor universal. A possível descrição do instante da Ascensão, com aclamações, trombetas, tambores e alegria, afasta o espírito melancólico e sofrido da partida do Senhor, dando lugar à Vitória de Cristo sobre o pecado e o mundo. (Deus reina sobre todas as nações, está sentado no seu trono glorioso)
Na segunda leitura, na Carta de São Paulo aos Efésios 1,17-23, temos uma oração profunda que nos faz ver vários significados, de ordem espiritual, eclesiológica e contemplativa. Paulo se afasta do “ensinar” e aproxima-se dos leitores de sua carta, demonstrando de forma orante a grandeza de Deus em Cristo. Paulo ultrapassa e retira “conceitos” ou “enquadramentos” possíveis em relação ao conhecimento de Deus, orando para que as pessoas abram seus corações para além de ouvir, vivenciando, saboreando e sentindo o amor de Deus, por nós.
Nos versículos 20 e 21 – “Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa mencionar não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro” – Paulo expressa a soberania de Cristo sobre o mundo. Vemos também a possível conexão com esta Solenidade da Ascensão, por Cristo ter sido descrito “à direita do Pai”, demonstrando, assim, a autoridade e a unidade do Filho e do Pai. E por fim, não menos importante, vemos Cristo como “cabeça da Igreja”.
O trecho do Evangelho de São Lucas lido nesta Solenidade (Lc 24, 46-53) é o encerramento do livro, e tem como marca a transição, a passagem entre o final da vida de Jesus e o início da Igreja no mundo. Estes versículos relembram a morte e ressureição do Senhor assim como a missão de todos nós; tornam-se assim um pequeno chamado a sermos missionários, anunciadores de Jesus.
Por fim, o convite presente nestas leituras é sermos testemunhas do Senhor com alegria e coração aberto; porém o Senhor não nos diz que os caminhos que trilharemos serão fáceis ou menos “perigosos”… Podemos e devemos perseverar na fé e na esperança, seguindo e assumindo o mandato de missionários e missionárias do Reino de Deus.
Ana Beatriz Menezes, OP.



