O menino chegou em casa mancando… Em resposta à pergunta da mãe, sobre o que teria acontecido, o menino respondeu: “O Gustavo me deu um chute. A gente estava brigando: ele queria a bola e eu estava com ela”.
A menina estava em lágrimas. Tirou da sacola um caderno que ela tinha organizado com todo cuidado. Ele tinha uma capa bonita. Suas páginas estavam cheias de anotações de leituras, feitas com uma letra caprichada… Agora, porém, ele estava rasgado e sujo de terra… “Olha o que a Marli fez”, disse ela à irmã mais velha. “Ela queria cola na prova, e eu não dei”.
A polícia foi chamada quando dois homens começaram a se agredir fisicamente depois de uma discussão de bar. O dono do estabelecimento desabafou; “Estou cansado de ver dois marmanjos se estapeando por besteiras”.
O jornal do dia trazia várias notícias: mais um bombardeio destruidor na Ucrânia; médicos atendendo a pacientes no chão no que restava de um hospital em Gaza; um crime bárbaro acontecido na cidade….
A violência está em toda parte, em graus variados. Crianças, adultos, nações – todos vivem situações de agressões, por vezes sendo agressores, por vezes sendo agredidos… Você que está lendo este texto, pare por uns minutos e reflita: Em que situações você foi agredido(a)? Como se sentiu nestes momentos? Quais as causas que levaram a esta situação? Se a situação se repetisse hoje, você agiria da mesma forma?
Mas continue sua reflexão, e pense agora: Em que situações você agrediu alguém? Foi por palavras ou por ações? O que levou você a esta atitude? Como você se sente hoje ao relembrar estes fatos? O que você acha que teria sido possível fazer para que estes fatos não tivessem acontecido?
A violência é algo que, de um modo ou de outro, está presente em nossa vida. Ela brota de dentro do coração humano. Mas ela não é algo que deveria acontecer… Fruto de uma distorção interior que se enquadra no que genericamente chamamos de “pecado”, a violência brota daquilo que em nós é bom, se for dirigido para o bem. O instinto de conservação da vida é algo bom, pois nos impele a proteger a vida – este grande dom que Deus nos deu. Mas ele não nos autoriza a agredir a vida de outrem… O desejo de crescer, de “ser mais” pode ser positivo ao nos incentivar a desenvolver nossos próprios dons, mas ele não justifica que queiramos destruir outros… É de um coração que se desviou do caminho que Deus queria que seguisse que brota a violência em todas as suas facetas: a inveja, o ciúme, a malquerença, a não-aceitação do êxito de outros, o desejo de vingança e tantos outros sentimentos que acabam se manifestando em palavras ou em atos carregados de violência.
Sim, a violência brota do coração humano… E, olhando em torno de nós, vemos que nosso mundo está se tornando cada vez mais violento. Mas, será que queremos que nosso mundo seja assim? E será que Deus quer que nosso mundo seja assim? A resposta que podemos dar a essas duas perguntas certamente será: “Não!”
Continuando, então, nosso raciocínio, perguntemo-nos: O que poderemos fazer para que não haja tanta violência em nós mesmos e em torno de nós? Se a violência nasce a partir de nosso próprio coração, o remédio eficaz para que ela não brote é estabelecer nosso coração na paz. É sermos pessoas de paz. Só assim poderemos ser construtores de paz. Mas, como chegar a construir a paz em nós e em torno de nós?…
A História nos faz conhecer várias pessoas que foram consideradas como “pacifistas” porque trabalharam pela paz, por vezes através de grandes sacrifícios pessoais. O grande Mahatma Gandhi, em sua luta pela paz na Índia, por exemplo, dizia: “Posso até estar disposto a morrer por uma causa, mas nunca a matar por ela”. Outro grande pacifista foi Martin Luther King, que lutou contra a discriminação social nos Estados Unidos; ele dizia: “Sempre e cada vez mais, devemos nos erguer às alturas majestosas de enfrentar a força física com a força da alma”.
E nossa Mestra de Vida, Santa Maria Eugênia, nos mostra o caminho para chegarmos à paz do coração que nos tornará capazes de semear a paz em torno de nós. Ela nos diz: “É um grande esforço apagar completamente de si toda lembrança de amargura, de frieza, toda ferida e de restabelecer em si uma benignidade absoluta em relação a todas as pessoas que nos fizeram sofrer de algum modo” (18/05/1879). De fato, isto supõe um grande esforço… Alguns anos antes, Santa Maria Eugênia já insistia nesta necessidade de não nos deixarmos dominar por sentimentos que nos tirariam a paz do coração e seriam como uma predisposição para sentimentos negativos: “A alegria interior está acima das contradições, das provações, dos fatos que podemos criticar ou dos que nos queixamos. Ela se fundamenta na paz do coração” (05/04/1874).
Tenhamos a coragem de fazer este “grande esforço”. Busquemos subir interiormente deixando para trás as contradições, as provações, as feridas, as friezas, as amarguras, tudo aquilo que pode nos ter feito sofrer, para alcançar essa paz do coração que deriva da consciência de que Deus habita “no mais íntimo de nós mesmos”, como já dizia Santo Agostinho. Assim nos tornaremos pessoas de paz, e poderemos viver a bem-aventurança anunciada por Jesus: “Bem-aventurados (ou, em outras palavras, felizes) os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5, 9).

Irmã Regina Maria Cavalcanti

Leia Mais

COMEÇAR DE NOVO

Vocês se lembram de uma canção popular antiga cujas primeiras palavras eram exatamente estas:

Assembleia Provincial – Província Atlântico Sul

“Cada um de nós tem uma missão sobre a terra. Temos que procurar em

LUZES DE NATAL

Dezembro é um mês festivo. Mês de férias, é o fim de um ano,

O Sentido da Vida…

A notícia horrorizou-nos a todos… Diante das fotos publicadas nos jornais – até mesmo

O DOM DA PAZ

O PRECIOSO DOM DA PAZ Desde que a humanidade existe sobre a face da

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *