Experiencia misionera en Guatemala

Em janeiro e fevereiro de 2017, estive em Sayaxché, Petén, Guatemala (Provincia Centroamérica y Cuba das Religiosas da Assunção), com o objetivo de trocar experiências de vida.

Convido você leitor a participar dessa minha aventura que tem também a função de incentivá-lo a fazer experiências semelhantes.

Gosto de me apresentar como uma “cidadã do mundo”. É que já morei em tantos lugares que não me sinto pertencente a nenhuma cidade ou estado, porém há mais de 30 anos meu domicílio é Brasília – DF.

No início das tratativas, Heloísa e Aline, minhas filhas me questionaram: “mãe, o que vai fazer em um lugar tão distante”? Penso que elas só consideraram o fato de eu já estar passando dos 65 anos de idade. A resposta foi: NÃO SEI. A única certeza que tenho é que estou disposta a fazer o que me for solicitado, dentro da minha capacidade, é claro. Talvez eu seja a mais beneficiada na história, mas como a vida me ensinou que – dar e receber tem o mesmo cordão umbilical… em poucos dias parti confiante rumo a um desconhecido.

Fui acolhida carinhosamente pela comunidade local das Religiosas da Assunção, em Sayaxché, irmãs: Rosita, Meche, Laura e América. Esta, portanto, foi minha família por 39 dias.

Inicialmente, só havia expectativa, estava tudo escuro, eu não sabia como era a comunidade, as pessoas, que tipo de trabalho faziam como era a cultura local e o que eu iria fazer. É certo que eu estava preparada para viver intensamente o dia a dia. Deus em sua generosidade foi mostrando os caminhos e me dando coragem para segui-Lo.

Desafios & impressões & vivências:

  • Assustei-me com os “zancudos”, nossos conhecidos pernilongos que picavam nos espaços em que o repelente não alcançava (sola do pé, por exemplo), mas logo procurei uma forma de lidar com eles.
  • Fiz um grande exercício para aceitar minha dificuldade na “comunicação rápida” no castelhano, talvez eu tenha exercitado os ouvintes a terem paciência e despertado compaixão à missionária idosa. A língua oficial do País é o Castelhano, porém, tem mais de 23 línguas. Em Sayaxché predomina o Castelhano e Queqchi (Q’eqchi’);
  • Gostei das comidas. Os produtos eu já os conhecia bem, porém a forma de fazer e comer era diferente. Isso não foi difícil para mim, por serem naturais e saudáveis, talvez;
  • A convivência das irmãs entre si e na comunidade que servem eu vi refletida a opção de vida que fizeram: vivência de fé e compromisso, simplicidade, paz, trabalho intenso fora e em casa, etc. Afinal, nada justificaria terem deixado suas famílias de origem e serem partícipes em outra se não procurassem ser coerentes com o compromisso de vida no dia a dia;
  • A hospitalidade com os que as procuram. Vi como uma forma de extensão do cristianismo e zelo pelo sonho da fundadora quando fala da “extensão do reino de Deus”;
  • A importância dos cumprimentos a praticamente todas as pessoas que se cruzam na rua como se dissessem: “eu te vejo! você é importante para mim!” Vi este ato como um ponto alto da cultura. Neste quesito nós brasileiros precisamos aprender muito;
  • Gostei de ver o respeito e o apoio dado às famílias, grupos e pessoas nas expressões da fé (religiosidade popular);
  • Gostei de ver a participação das leigas e leigos nos diferentes grupos e nas liturgias dominicais. Aliás, foi a primeira vez que vi nesses grupos a predominância do sexo masculino. Trabalhar na formação de líderes confirmou em mim que esta também é uma boa estratégia para minimizar a escassez de missionários, habilitando-os a se tornarem capazes de autoguiarem.

Às vezes caminho sem aprofundar o que significa: “sou templo de Deus”, que “meu corpo é um lugar da glória de Deus”. Este tempo em Sayaxché me fez voltar a este tema.

Esta experiência significou também, afastamento do meu cotidiano (compromissos, pessoas, coisas, preocupações, cultura, etc.). Percebi que o que considero essência de vida se repete entre outros povos e independe da opção de vida: cumprir com satisfação e prazer, da melhor forma possível, o hoje como ele se apresenta e como sendo uma benesse de Deus, com o olhar na morada eterna.

Experimentei a impermanência da vida. Perguntei-me muitas vezes: O que é importante nesta vida e que vale a pena ser repetido? Como são os rastros que marco por onde ando? Sábias são as palavras de Santa Maria Eugênia: “É uma loucura não ser o que se é com a maior plenitude possível”.

Confirmei que as causas, condições e as circunstâncias de vida de cada um podem ser distintas, porém o sol que nos guia é o mesmo. É certo que a vida inicia e termina da mesma forma, com a respiração. Contudo, é de minha inteira responsabilidade viver com qualidade, o intervalo, entre o primeiro e último sopro. Vivo esta experiência quando, como caminhante/peregrina de longas distâncias, com mais ou menos 7 quilos na mochila, nas costas, percorro à pé quilômetros diariamente certa de que não necessito mais do que isto para viver, e claro, (com dinheiro no bolso para garantir pouso e alimentação). Concluo que outros tesouros que às vezes valorizo constituem apenas, excesso de peso.

Por fim, vi que a dignidade e excelência do ser humano são inatingíveis, não podem ser destruídas nem por outras pessoas, pela doença e nem mesmo pela morte. Sua construção é uma opção que devo fazer cada dia. É esta sabedoria que devo deixar para os meus descendentes.

Sayaché  reforçou, inclusive, a necessidade  de manter meu olhar para o núcleo bom de mim e dos outros, sem julgamentos e culpas.

E o que fiz por lá?

Participei da vida de comunidade, acompanhei as irmãs nas visitas domiciliares (idosos, doentes), participei dos “rezos” – novena, ministrei palestras com temas que me foram solicitados. Participei do grupo Assuncionista Juvenil, inclusive, assessorei os lideres na elaboração dos princípios do grupo (objetivos, missão e visão), treinei alguns leitores com técnicas para leitura em público e dediquei 2 dias ao turismo visitando as pirâmides maias.

Então leitor, que tal fazer uma aventura missionária? Vale a pena!

Joana