UM CONVITE À ALEGRIA DE DEUS
Palavras-chave
Banquete – Confiança – Providência – Reino de Deus – Resposta – Alegria – Transformação

Introdução
As leituras deste domingo nos apresentam uma imagem bela: Deus prepara um banquete e nos convida a participar dele. O banquete é apresentado como um lugar de encontro, de alegria, de abundância e de comunhão. Não se trata apenas de sentar-se à mesa para comer; é compartilhar a vida, sentir-se esperado, querido e parte de uma comunidade.
O convite d’Ele é gratuito e dirigido a todos. No entanto, aceitar esse convite implica algo mais do que dizer “sim”; significa abrir o coração e deixar que a nossa vida seja transformada por Ele.
Santa Maria Eugênia compreendeu profundamente que a fé não podia reduzir-se a palavras. Para ela, encontrar-se com Deus levava necessariamente a comprometer-se com o mundo e a trabalhar para transformá-lo segundo o Evangelho. Por isso, as leituras de hoje também nos perguntam: o que fazemos com o convite que Deus nos oferece?

Primeira leitura: Isaías 25, 6-10
O profeta Isaías nos apresenta uma imagem cheia de esperança: Deus prepara um grande banquete para todos os povos. Nessa mesa há abundância, mas há também algo ainda mais importante: Deus vem para tirar aquilo que causa dor e tristeza. O texto fala de lágrimas, morte e sofrimento, e anuncia que Deus tem a última palavra sobre tudo aquilo que nos faz viver com medo ou desesperança.
É uma imagem consoladora. Deus não é indiferente à nossa dor e desesperança. Ele vê as nossas lágrimas e quer devolver-nos a esperança.
O banquete é “para todos os povos”. Ninguém fica excluído do convite de Deus. A Sua mesa é ampla e o Seu amor não conhece fronteiras. Esse olhar está muito relacionado com o pensamento de Santa Maria Eugênia. Ela sonhava com uma sociedade transformada pelo Evangelho, onde a dignidade de cada pessoa fosse reconhecida e onde a educação ajudasse a construir um mundo mais justo. Por isso, aceitar o convite de Deus também significa ajudar a preparar essa mesa para os outros: aproximar-nos de quem está sozinho, acompanhar quem sofre, defender a dignidade de quem é esquecido e construir espaços onde todos possam se sentir acolhidos.

Salmo 22: “O Senhor é o meu pastor: nada me faltará”
O salmo nos presenteia com uma das imagens mais conhecidas de toda a Bíblia: Deus como Pastor.
O pastor conhece as suas ovelhas, guia-as, protege-as e permanece ao lado delas mesmo quando atravessam um vale escuro. Isso não significa que quem confia em Deus nunca terá dificuldades. O salmo não diz que não haverá “vales escuros”. Diz algo muito mais profundo: não os atravessaremos sozinhos.
Há momentos em nossa vida em que não sabemos que decisão tomar, em que sentimos medo ou cansaço, ou em que parece que tudo se torna difícil. A fé nos recorda que Deus continua caminhando conosco.
Talvez hoje precisemos repetir com simplicidade: “Senhor, ainda que eu não veja claramente o caminho, confio que Tu caminhas comigo”.

Segunda leitura: Filipenses 4, 12-14
São Paulo nos fala a partir de sua experiência. Aprendeu a viver na abundância e também na necessidade. Conheceu momentos bons e momentos difíceis. Descobre algo fundamental: sua segurança não depende das circunstâncias externas, mas de Cristo. Isso é muito diferente de pensar que “com Deus tudo dará certo”. Paulo sabe que haverá dificuldades, mas também sabe que pode atravessá-las porque sua força está em Cristo.
Santa Maria Eugênia viveu essa confiança de maneira concreta. Sua obra começou com meios muito escassos, mas com uma grande convicção: Deus podia servir-se de pessoas disponíveis para realizar grandes coisas.

Evangelho: Mateus 22, 1-14
Jesus compara o Reino dos Céus a um rei que prepara um banquete de casamento para o seu filho. O convite está feito. A mesa está preparada. Mas alguns convidados não querem ir. Esta parábola nos apresenta uma realidade muito humana: Deus convida, mas nós somos livres para responder.
Às vezes, estamos tão ocupados, preocupados ou fechados em nossas próprias coisas que não ouvimos o convite. Deus pode estar nos chamando por meio de uma pessoa, de uma situação, de uma necessidade concreta ou até mesmo de algo que nos incomoda interiormente.
O Evangelho também fala de um homem que entra no banquete sem a veste adequada. Essa imagem pode nos parecer estranha se a entendermos literalmente. A “veste” representa uma atitude interior: não basta estar fisicamente na festa; é preciso deixar que o convite transforme a nossa maneira de viver.
Podemos participar de uma comunidade, rezar, ouvir a Palavra e, no entanto, manter o coração fechado. O Evangelho nos convida a passar de uma fé externa para uma fé que se traduza em gestos concretos. Aqui encontramos novamente uma profunda conexão com Santa Maria Eugênia. Para ela, o encontro com Jesus Cristo devia transformar toda a existência. A fé devia chegar à inteligência, ao coração.

Giselle Barzola – Argentina

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