Jesus convida a descobrir o sentido da partilha e do amor desinteressado
Na liturgia de hoje, o Evangelho (Lc 7-14) nos convida a entrar em um cenário especial: Jesus, num sábado, vai comer na casa de um dos chefes dos fariseus. Sua presença é uma provocação e um apelo desafiante!
Ele observa que os convidados escolhem os primeiros lugares. Então, como Mestre, mesmo consciente do contexto crítico dos fariseus, com toda a liberdade, lhes aconselha: quando forem convidados a alguma festa, ocupem o último lugar.
Em seguida, diz a quem o convidou que não chame para a refeição os parentes, amigos; mas, sim, os pobres, os aleijados, os coxos, os cegos. Você será feliz! Eles não podem retribuir e você receberá a recompensa na ressurreição dos justos.
Jesus não está rejeitando o amor e o convívio agradável dos familiares e dos amigos. Está sim ampliando a visão e o coração. Ele rejeita os exclusivismos, as relações interesseiras, privilegiadas, que não consideram os servidores, os pequenos, os últimos.
Ele desmascara os que vivem na superficialidade, “salvando as aparências”, com mentiras, falsidades, buscando a auto projeção. Essa postura acontece ali no seu contexto e em todos os tempos, como uma tendência enraizada no ser humano.
Os discípulos de Jesus que querem construir um mundo mais justo e solidário, são chamados a caminhar na gratuidade, servir sem esperar o lucro, a fama, o poder. Essa é a nossa missão: introduzir na história um novo espírito que contradiz a prática do acúmulo, da ganância, do prazer.
A linguagem da gratuidade pode até ser estranha e incompreensível, numa sociedade que muitas vezes é moldada por uma mentalidade e um sistema que gera atitudes consumistas, de coração mesquinho e horizonte estreito. Para reverter essa situação, o ponto de partida é o reconhecimento do valor da pessoa humana, sempre em qualquer condição. A grande referência é ver como Jesus agiu e o que escolheu.
Se, no banquete da vida que recebemos da gratuidade de Deus, nos colocamos humildemente no lugar dos pequenos, nossa ótica e nossa prática muda de direção. Descobrimos que são enumeráveis os excluídos da mesa de refeição e o muito que sobra para uns é o que falta para muitos.
Nosso coração se abre e valorizamos os gestos simples de acolhida e atenção, de cuidado e apoio a quem ficou à margem do caminho. Fazemos experiência de que a partilha é compromisso contínuo. Nosso estilo de vida muda e passamos a engrossar as fileiras dos que lutam pela inclusão, pela vida digna para todos.
Cabe a nós, Povo de Deus, comunidade dos discípulos de Jesus, acolher o questionamento que Ele nos faz: o lugar que ocupamos, o espaço que damos a cada um, quem acolhemos, quem rejeitamos com preconceitos, quem chamamos à nossa mesa. Como servimos, a quem servimos, por quem e como entregamos nossa vida.
Alguns destaques, na Liturgia da Palavra, nos convidam à interiorização e renovam a nossa esperança.
Na Primeira Leitura (Eclo 3,20): “…deverás praticar a humildade e encontrarás graça diante do Senhor” … Ele é glorificado pelos humildes.”
Na Segunda Leitura (Hb 12,22-24) “…vós vos aproximastes (…) da assembleia dos primogênitos cujos nomes estão inscritos no céu (…) de Jesus, o mediador da nova aliança.”
No Evangelho (Lc 14,13-14) “…convida os pobres” (…) “Tu serás feliz. Porque eles não te podem retribuir. Tu terás a recompensa na ressurreição dos justos”.
Apelos de gratuidade, de conversão, de servir com humildade, de compromisso com os menos favorecidos!
O chamado de hoje nos mostra um caminho para construirmos juntos, passo a passo, aqui e agora, o Projeto de Jesus de uma Mesa para todos, onde nos encontraremos na Casa do Pai.



